Fórum de Juventudes discute políticas alimentares na capital brasileira
Em um momento crucial para a segurança alimentar na América Latina e Caribe, jovens representantes de diversos países se reuniram em Brasília para participar do Fórum de Juventudes, focando no papel da juventude na transformação dos sistemas agroalimentares. O encontro ocorre em um contexto em que o Brasil foi retirado do Mapa da Fome da ONU pela segunda vez em julho de 2025, refletindo avanços, mas também desafios persistentes.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) elogiou iniciativas sociais brasileiras, como o Bolsa Família e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), por fortalecerem a segurança alimentar no país. Essas políticas têm sido fundamentais para garantir acesso à alimentação de qualidade, especialmente em um cenário onde a fome ainda afeta milhões na região.
A secretária Nacional de Juventude, Vitória Genuino, ressaltou a importância de integrar soluções já existentes nos territórios nas políticas públicas, buscando um modelo mais inclusivo que considere as realidades locais. “Precisamos ouvir os jovens e suas propostas, pois eles são parte essencial da solução”, afirmou Genuino durante sua fala no evento.
Os jovens participantes, incluindo Hilda López, representante da Guatemala, levantaram a questão da falta de participação juvenil nas decisões sobre segurança alimentar. Essa lacuna é preocupante, uma vez que os jovens são frequentemente os mais afetados por crises alimentares e têm muito a contribuir nas discussões.
Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, enfatizou que o envolvimento ativo da juventude é imprescindível para o desenvolvimento rural sustentável. Ele destacou que as consultas regionais da FAO visam ouvir uma diversidade de vozes, incluindo agricultores familiares e povos indígenas, que muitas vezes não têm espaço nas discussões tradicionais.
Eduardo Peralta, um jovem indígena do Equador, trouxe uma perspectiva única ao falar sobre a necessidade de cuidar da Mãe Terra, afirmando que isso é fundamental para fortalecer a soberania alimentar. Sua visão destaca a conexão profunda entre cultura, meio ambiente e alimentação, aspectos que precisam ser considerados nas políticas de combate à fome.
Ao final do encontro, uma declaração conjunta será elaborada, com o intuito de apresentar as demandas e sugestões dos jovens na 39ª Conferência Regional da FAO, que ocorrerá de 2 a 6 de março de 2026, também em Brasília. Essa conferência será uma oportunidade para que as vozes da juventude sejam ouvidas em um fórum internacional, promovendo a visibilidade necessária para suas reivindicações.
Enquanto as discussões avançam, persiste a dúvida sobre a eficácia das políticas públicas atuais no combate à fome e à insegurança alimentar. O diálogo aberto e a inclusão de diferentes perspectivas, especialmente as da juventude, são passos fundamentais para enfrentar esse desafio complexo e urgente na região.